Hoje, são 120 arquitetos voluntários, além de outros profissionais envolvidos, como artistas plásticos, fotógrafos, jornalistas, empresários, prestadores de serviços e advogados. “Após o diagnóstico dos anseios e necessidades das famílias, juntamente com a arquiteta Marcele Salles, elaboramos a proposta arquitetônica da residência de dois dormitórios com aproximadamente 45m². O diferencial do projeto foi a possibilidade da ampliação do embrião original da casa de acordo com a demanda de cada família, para mais um dormitório, um espaço para um pequeno comércio ou, até mesmo, a ampliação da área social da residência”, declara Anicoli. Esse dispositivo legal foi criado com a intenção de garantir a famílias de baixa renda o direito à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e construção de habitação de interesse social.
Para Mundano, a invisibilidade dos catadores é o maior dos problemas enfrentados diariamente pelos catadores de recicláveis; sua ocupação é reflexo da desigualdade social, do desemprego e da abundância de resíduos sólidos, da deficiência do sistema de coleta. Com o objetivo de propor indicadores de análise do processo de empoderamento, buscamos compreender como ele se concretiza nas diferentes dimensões da vida social e encontramos, em diferentes autores, formas diversas de sistematizá-lo. Mas estabelecer uma nova relação de poder em que os sujeitos se considerem iguais, ou seja, parceiros na busca de objetivos comuns, implica refazer relações hierárquicas seculares, principalmente em se tratando de profissionais e usuários de serviços. O processo de construção de subjetividades, sejam individuais ou coletivas, é marcado por dispositivos de individualização induzidos historicamente na cultura ocidental e sua absorção, por estruturas de opressão e relações de poder institucionalizadas (Vasconcellos, 2003). A participação social na construção do Sistema de Saúde, bem como no espaço das demais políticas sociais, é defendida enquanto necessária e indispensável para que sua consolidação se conforme mais democrática e eficaz. Além de mostrar as intervenções realizadas com a comunidade, as caminhadas são oportunidades para a reflexão sobre o Direito à Cidade, um conceito que surgiu nos anos de 1960 criado pelo sociólogo Henri Lefebvre, que defendia a não exclusão da sociedade urbana das qualidades e benefícios da vida na cidade.
Afinal, o que é inclusão social?
Ela reflete as crenças, valores e tradições de um povo, além de ser responsável por moldar a paisagem urbana. Um exemplo disso é a arquitetura colonial presente em diversas cidades brasileiras, que nos remete à época da colonização portuguesa e nos ajuda a entender nossa história. Na construção de projetos baseados nas necessidades locais, na leitura e análise territorial, no gerenciamento de ações e na elaboração de ideias e diferentes alternativas frente aos desafios existentes. A partir da demanda recebida pelo HCPA, Daniela reuniu seis amigos arquitetos e fundou o Arquitetos Voluntários, coletivo que tem como objetivo construir espaços de descompressão em hospitais para profissionais de saúde que atuam na linha de frente de combate à covid-19. Centenas de latas de spray e caps (pontas de plástico utilizadas para lançar o jato do aerossol) foram distribuídos aos interventores convidados, além de pincéis, máscaras de estêncil e outros materiais necessários para a realização do trabalho.
Recuperação do Edifício Riachuelo, por Paulo Bruna Arquitetos Associados
“Por um lado, temos a transformação física do terreno, que se baseia em limpar o lixão e, seguindo o projeto desenvolvido a partir de um processo participativo, oferecer um espaço de lazer com a infraestrutura necessária para tal, criando acessibilidade, vitalidade, identidade e resiliência”, esclarece. Para Paola, o impacto causado pelo projeto em sua trajetória profissional tem sido gigantesco. E depois de formada, muitas vezes, sentiu dificuldade de encontrar um propósito dentro da sua atuação profissional.

Ele foi convidado para a realização da última ação de 2020 chamada Projeto Cor em Ação + Caminhada Jane Jacobs Floripa, cuja intenção foi apresentar, numa live ao vivo no instagram do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU/SC), o resultado do projeto contemplado com o edital “Acupunturas Urbanas”. “A gente aproveita a caminhada para discutir temas da cidade, um pouco de atenção aos espaços precários promove um ganho de qualidade muito grande”, afirma. Hoje, o papel da arquitetura social na construção de um mundo mais sustentável é reconhecido pelo plantas de casas terreno 10×30 com piscina Prêmio Pritzker, considerado o “Oscar da arquitetura”. Nos últimos anos, foram premiados profissionais conhecidos pelo compromisso social em seus projetos, como Shigeru Ban, Alejandro Aravena e Francis Keré. E aí entra a arquitetura social, que visa a criar espaços de inclusão e que garantam qualidade de vida às pessoas que os utilizam. O conceito de sustentabilidade surgiu na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (UNCHE), realizada em Estocolmo em 1972, e foi cunhado pela norueguesa Gro Brundtland no Relatório “Nosso Futuro Comum” (1987).
A partir daí, o grupo desenvolve os projetos necessários e acompanhamento da obra, até que tudo seja executado, de tal maneira que possam proporcionar mais qualidade de vida, higiene, segurança e melhores condições de habitabilidade para as famílias. É ali que se concentram energias e forças sociais, e onde é gerado capital social, como solidariedade e coesão social, “forças emancipatórias, fontes para mudanças e transformação social” (Gohn, 2004, p. 24). Nos EUA, na década de 1960, surgiu um grupo que defendia a participação ativa da população na cidade tendo como personagem central a ativista Jane Jacobs. Ela defendia que a população devia ser perguntada quando fosse afetada por qualquer obra de infraestrutura. Inspirado em outras ações pelo mundo, o arquiteto Gustavo Andrade junto com um grupo de amigos criou a Caminhada Jane Jacobs Floripa, que propõe caminhar pela cidade refletindo sobre temas diversos, na maioria das vezes baseados na relação do pedestre com a cidade.
“Até o momento, entregamos 17 ações, e estamos com oito em andamento e 12 em fila de espera. Temos carinho por todas as ações e as histórias de coleguismo, aprendizado e altruísmo jamais serão esquecidas”, acrescenta Daniela. Há 10 anos, o curso de Arquitetura e Urbanismo da Atitus se unia ao Grupo de Mulheres ‘Unidos Venceremos’, com a missão de construir 210 moradias no loteamento Canãa, em Passo Fundo. A iniciativa surgiu, a partir de um projeto de pesquisa realizado por um grupo de professores e alunos, do qual Anicoli Romanini, era uma das integrantes. Diante disso, Anicoli comenta que a arquitetura com caráter social é um direito assegurado por qualquer cidadão, que é garantido por meio da Constituição Federal e afirmado pelo Estatuto da Cidade desde 2001. A Serrinha faz parte Maciço Central de Florianópolis, o Morro da Cruz, no centro da cidade, um conjunto de 16 bairros com altos índices de pobreza e precariedade.
Não os entendemos como algo fechado, que impede a ampliação de nosso olhar, mas como possibilidade de fazer aflorar esses processos desafiantes, porquanto encerram mais aspectos qualitativos que quantitativos, que nos permitem ao mesmo tempo intervir, avaliar e, quiçá, modificá-los a favor do que desejamos. Os autores selecionados propõem uma abordagem do empoderamento a partir de níveis, como mostramos a seguir. Acreditamos que tais resistências acontecem cotidianamente, mas não temos consciência plena de sua existência e da força que possuem.
É Bom Saber: Plataforma Arquigrafia reúne diversas imagens da arquitetura urbana
De acordo com essa definição, o uso sustentável dos recursos naturais deveria “suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas”. Entretanto, apesar da urgência do conceito e da constante evolução que ele tem sofrido ao longo do tempo, sua plantas de casa 10×30 aplicação ainda se limita muitas vezes ao uso controlado dos recursos naturais e à preservação da vida selvagem. Ou seja, está baseada em relações e ações que abordam a situação sob a perspectiva do “homem versus natureza”, como um entendimento dicotômico em detrimento de uma visão holística.